F*ck cows, chicks and pigs...what I really like is to smash potatoes and beans

Uma alimentação vegetariana nas escolas de Aveiro

Uma alimentação vegetariana nas escolas de Aveiro

Inspirada no convite que recebi do Aveiro em Transição, para partilhar com alguns pais interessados, a nossa experiência com a alimentação vegetariana nas escolas de Aveiro, considerei alargar a palavra a quem mais tivesse curiosidade e também preocupação sobre este assunto.

Este convite traduziu-se num pequeno diálogo e na demonstração de um petisco que costumo fazer para o lanche da minha filha. Estou super contente porque correu lindamente e confesso que fiquei surpreendida (ainda que nervosa) quando reparei que não havia uma cadeira vazia na plateia! E apesar de estarem presentes poucos vegetarianos, encantou-me a receptividade de todo o público a esta alternativa alimentar. Tão bom sentir que o vegetarianismo já tem um lugar comum!

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O que eu e a Maria fomos contar é a história que se segue:

A Maria entrou para a creche com 1 ano e meio. Nessa altura já comia variadíssimos alimentos sólidos. A creche tinha cozinha e cozinheiras que sempre se disponibilizaram para aquecer ou grelhar algo que levássemos para o seu almoço. Os acompanhamentos eram os mesmos que eram dados aos colegas. Um dia, numa reunião de pais, sugeri que uma vez por mês se fizesse uma ementa vegetariana para todas as crianças. Eu própria poderia ir ensinar as cozinheiras a confeccionar alguns pratos. Recebi o apoio dos outros pais e a direcção disse-nos que iriam falar com as cozinheiras e mais tarde me dariam o seu feedback. Ainda estou à espera!…

No Infantário (pré-escolar), e porque a Maria já tinha alguma consciência do que comia, expliquei-lhe o porquê da comida do seu prato ser diferente da dos outros colegas. Não foi necessário argumentar muito. A empatia para com os animais é enorme nestas idades. Deixei-a à vontade para comer o que quisesse na escola. Se quisesse comer o mesmo que os colegas não lhe iria negar esse direito… na esperança de que iria sensibilizada, pelo menos. Então, um dia, a Maria pediu isso mesmo. E nós deixámos. Em duas semanas, de alguma forma, a Maria pôs as mãos na consciência e desistiu de comer carne. Ou talvez não tenha gostado. Apenas soube que não queria mais.

Sabíamos que havia uma ementa vegetariana no infantário mas, quando lhe tentámos aceder, percebemos que esta se destinava apenas a crianças com intolerâncias ou cuja religião não permitisse comer carne. Seria também necessário um atestado médico. Poderia ter alinhado em tendo a médica que tenho, seria fácil “comprovar” uma intolerância. Mas isso seria reforçar um sistema que, para nós, não fazia sentido. Então continuámos a levar o almoço da Maria para o infantário.

Na escola primária, o argumento manteve-se, até ao 2º ano de escolaridade da Maria. Ano em que outros colegas pediram à directora para trazerem também o seu almoço, preparado em casa. Só aí ficámos a saber que, no refeitório, só pode entrar comida preparada pela empresa contratada para servir os almoços. Assim, a Maria deixava de poder levar o seu farnel. Um beco sem saída! O ultimato foi muito desagradável… fomos informados que, se a Maria quisesse continuar a levar o seu almoço, teria de comer sozinha fora do refeitório. Encontrei-me imediatamente com a directora da escola e perguntei-lhe se achava a atitude razoável e acrescentei que casos como este iriam ser, cada vez mais, frequentes. Na mesma semana, aconselhou-me a escrever um e-mail à Câmara Municipal a expor a situação e a pedir o acesso à ementa vegetariana. Fui logo contactada pelos serviços educativos a dar-me carta verde, sem atestados, sem manhas. Finalmente, as portas abriam-se! E tudo o que se havia passado até então acabou por nos parecer uma simples “falta de vontade”.

A partir daqui, e como qualquer encarregado de educação preocupado, ficámos atentos à qualidade dos almoços. Maioritariamente, os almoços eram (e são) constituídos por soja processada, salsicha de soja ou ovo, com os mesmos acompanhamentos dos colegas. Isto é, muito poucos vegetais frescos, pouquíssima variedade. Quando a sopa era canja, a Maria comia água quente com massinha e cenoura ralada… Por saber que a Maria andava insatisfeita, comecei a ter mais atenção aos lanches que levava para a escola, de forma a contornar as carências do almoço. Esta foi a deixa para dar início à oficina, onde eu e a Maria mostrámos como se faz e demos a provar ao público Queijo Creme de Tofu.

E vocês? Como tem sido a experiência vegetariana dos vossos rebentinhos de soja nas escolas? Depois do decreto-lei que contempla uma ementa vegetariana em todas as escolas, como foi a receptividade das instituições? Contem-me como é e vamos fazer chegar esta experiência a mais ecrãs!



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